Roma em 4 dias: o nosso roteiro pela Cidade Eterna
Fontana di Trevi, Coliseu, Vaticano, mais de 20 km a pé num só dia e um domingo em que acabámos a ver o Papa: este foi o nosso roteiro real de quatro dias por Roma.

Há cidades onde chegamos e precisamos de algumas horas para perceber onde estamos.
Em Roma, bastou a porta do avião abrir.
Calor. Muito calor.
Aterrámos no Aeroporto de Ciampino por volta das 12h30, depois de termos saído do Porto às 08h55.
Era maio de 2022 e estava um daqueles dias em que o calor se sente antes mesmo de sairmos completamente do avião.
Ainda andávamos com o certificado de vacinação contra a Covid guardado no telemóvel por precaução, a normalidade depois da pandemia ainda parecia relativamente recente e esta era mais uma das nossas primeiras viagens a dois.
Do aeroporto seguimos de transfer até à estação de Termini.
E depois veio a primeira excelente ideia da viagem:
andar cerca de 25 a 30 minutos até ao hotel com as malas.
Pelo menos serviu para começar imediatamente a conhecer Roma.
E também para perceber que, nos quatro dias seguintes, íamos andar.
Muito.
Dia 1 — Piazza del Popolo, escadarias e a Fontana di Trevi
Depois de deixarmos as malas no hotel, saímos praticamente de imediato.
Uma das primeiras coisas que fizemos foi comprar um passe de transportes públicos válido durante 48 horas.
Na altura custou-nos 12,50 € por pessoa.
Só comprámos o passe de 48 horas porque era suficiente para os percursos maiores que tínhamos planeado. Para grande parte do resto da viagem, a ideia era conhecer Roma da melhor forma possível:
a pé.
Começámos pela zona de Salario, onde rapidamente começámos a reparar na arquitetura dos edifícios, e seguimos depois em direção à Piazza del Popolo e à Basílica de Santa Maria del Popolo.
Foi aqui que o calor decidiu lembrar-nos de que devíamos ter levado o assunto um bocadinho mais a sério.
A Cátia começou a sentir-se mal.
A solução?
Nada de particularmente sofisticado.
Água das fontes públicas diretamente para a cara.
Resultou.
Recuperada a dignidade e alguma temperatura corporal aceitável, continuámos.
Da Piazza del Popolo seguimos até à Piazza di Spagna, onde parámos junto à fonte antes de enfrentar a enorme escadaria até à Trinità dei Monti.
A lógica nessa altura já era bastante simples.
Se já tínhamos caminhado aquilo tudo, mais umas dezenas de degraus também já não faziam grande diferença.
E depois chegou aquilo que provavelmente está no roteiro de praticamente toda a gente que visita Roma pela primeira vez:
Fontana di Trevi
Na altura ainda era possível aproximarmo-nos bastante da fonte.
Ficámos ali algum tempo a olhar, tirar fotografias e fazer videochamadas para a família, que ainda nem sabia muito bem onde andávamos.
É um daqueles monumentos que já vimos tantas vezes em fotografias, filmes e vídeos que corremos o risco de chegar lá e não sentir grande coisa.
Comigo aconteceu o contrário.
A Fontana di Trevi impressionou-me mais ao vivo do que estava à espera.
Quando demos conta, já era fim de tarde.
E também já estávamos completamente estourados.
Voltámos para o hotel novamente a pé, mais cerca de meia hora pelas ruas de Roma.
O primeiro dia tinha terminado.
As pernas provavelmente achavam que já estávamos no quarto.
Dia 2 — Fórum Romano, Coliseu e um almoço muito pouco italiano
No segundo dia levantámo-nos cedo, tomámos o pequeno-almoço no hotel — estava incluído na estadia — e voltámos à rua.
Passámos novamente pela Fontana di Trevi.
Desta vez, bastante mais tranquila do que no dia anterior.
Seguimos até à Piazza Venezia e depois para a Piazza di San Marco, antes de entrarmos pela zona de Monti.
Foi aí que começámos a encontrar cada vez mais vestígios da Roma Antiga.
Passámos pelo Fórum Romano e seguimos até àquela que provavelmente é a imagem mais imediatamente associada à cidade:
o Coliseu.
E aqui fizemos uma escolha que provavelmente divide opiniões.
Não entrámos no Coliseu
Demos várias voltas à volta do monumento.
Vimos o exterior com calma.
Passámos pelo arco ali junto.
Mas decidimos não comprar bilhete para entrar.
O calor estava intenso e, naquele momento, simplesmente não sentimos necessidade de acrescentar mais uma visita interior ao dia.
Olhando para trás, gostava de ter visto o interior?
Sim.
É uma daquelas coisas que provavelmente faria numa segunda visita.
Mas também não sinto que a nossa primeira viagem a Roma tenha ficado incompleta por causa disso.
Uma coisa que nos surpreendeu bastante naquela zona foi a presença constante de polícia e militares.
Havia uma sensação de segurança reforçada muito maior do que estávamos habituados a encontrar junto de atrações turísticas.
Seguimos depois até ao Circus Maximus e à Scala Sancta.
E depois de horas entre ruínas, monumentos e História romana, chegou finalmente o momento cultural mais importante do dia:
Burger King
Sim.
Fomos a Roma.
Passámos pelo Fórum Romano.
Demos a volta ao Coliseu.
E almoçámos num Burger King.
A conta ficou em 25,10 € para os dois.
Naquele momento não havia culpa.
Só havia fome.
À tarde regressámos ao hotel de autocarro para descansar e tomar banho.
O calor não estava propriamente a facilitar-nos a vida.
Mais tarde voltámos a sair.
Passámos novamente pela zona do Coliseu e seguimos depois para Colonna e para a Via del Corso.
E acabámos numa Zara.
Mas não numa Zara qualquer.
Uma Zara gigante, distribuída por vários pisos, porque aparentemente em Roma até ir às compras precisava de ter proporções monumentais.
Para jantar fomos buscar comida a um restaurante indiano de take-away.
Arroz com frango para os dois, por cerca de 6 € por pessoa.
Eu pedi picante.
A Cátia pediu sem picante.
O restaurante aparentemente tinha uma interpretação bastante generosa da expressão “sem picante”.
Voltámos ao hotel de autocarro.
E por esse dia já chegava.
Dia 3 — O domingo em que fomos ao Vaticano e vimos o Papa
Este acabou por ser, sem dúvida, o dia mais especial da viagem.
E desta vez havia algum planeamento por trás.
Era domingo e queríamos estar no Vaticano de manhã.
Às 09h já lá estávamos.
Começámos pela Basílica de São Pedro, que por si só já justificava a manhã.
Depois visitámos a Sala do Tesouro.
E foi precisamente aí que aconteceu provavelmente o momento mais estranho de toda a viagem.
De repente apareceram vários seguranças a afastar as pessoas.
A forma como tudo aconteceu fez-nos pensar que se estava a passar alguma coisa bastante séria.
Afinal, era um cardeal que tinha acabado de celebrar missa na basílica e estava a passar por aquela zona acompanhado pela sua equipa.
Até aqui, tudo normal.
A parte estranha aconteceu depois.
Vimos o grupo entrar numa sala.
Entrámos pouco depois.
E...
tinham desaparecido.
Não vimos porta nenhuma.
Nenhuma saída evidente.
Nada.
Passagens secretas no Vaticano?
Provavelmente existe uma explicação perfeitamente normal.
Mas a versão da passagem secreta é bastante melhor, por isso ficamos com essa.
Por volta das 11h30 saímos da basílica e fomos para a Praça de São Pedro.
E pouco depois aconteceu aquilo que acabou por tornar aquele domingo completamente diferente dos restantes dias da viagem.
Vimos o Papa Francisco
No meio de milhares de turistas e peregrinos, assistimos à oração do Regina Caeli feita pelo Papa Francisco a partir do Vaticano.
Quando decidimos viajar para Roma, “ver o Papa” não era propriamente a primeira coisa escrita na lista de objetivos.
Mas acabou por ser um daqueles momentos que ainda hoje associamos imediatamente à viagem.
Depois seguimos para os Museus do Vaticano.
Passámos cerca de três horas entre salas, corredores e jardins.
Na altura, os bilhetes custaram-nos:
17 € por pessoa
ou:
34 € para os dois.
Quando saímos, fomos finalmente almoçar.
E desta vez fizemos as pazes com Itália depois do Burger King do dia anterior.
Eu pedi uma Pizza Diavola.
A Cátia pediu lasanha bolonhesa.
A conta ficou em aproximadamente 23 € para os dois.
Continuámos depois pela zona de Borgo, passámos junto ao Castel Sant'Angelo e seguimos pela margem do rio Tibre.
Atravessámos depois em direção à Piazza Navona, onde parámos para descansar e comer qualquer coisa.
Comprámos duas sandes enormes de frango, por cerca de 4 € cada.
E, naturalmente, aproveitámos novamente as fontes públicas para encher as garrafas de água.
Roma pode ter muitos defeitos.
Mas água disponível pela cidade foi algo que agradecemos bastante naquele calor.
Seguimos depois até ao Panteão, na Piazza della Rotonda.
E quando o dia já estava a chegar ao fim, acabámos novamente num sítio onde já tínhamos estado:
Fontana di Trevi.
Só que desta vez tivemos sorte.
Apanhámos precisamente o momento em que as luzes começaram a acender, ainda com alguma claridade no céu.
Foi provavelmente a melhor forma de terminar o nosso último dia completo em Roma.
Até vermos quantos quilómetros tínhamos caminhado.
Entre 20 e 23 km num único dia
Não foi uma caminhada.
Foi praticamente uma etapa do Tour de France sem bicicleta.
Regressámos ao hotel a arrastar-nos.
Mas valeu a pena.
Dia 4 — Adeus a Roma
O último dia começou cedo.
Muito cedo.
O transfer para o aeroporto saía da estação de Termini às 07h00.
E o hotel ainda ficava a cerca de 25 a 30 minutos a pé.
Por isso, levantámo-nos, tomámos o pequeno-almoço e fizemos uma última caminhada por Roma.
Com malas.
Àquela hora.
Não há melhor forma de dizer adeus a uma cidade.
Seguimos até ao Aeroporto de Ciampino e apanhámos o voo de regresso às 10h05.
Por volta do meio-dia estávamos novamente no Porto.
Quatro dias.
Três noites.
Dezenas de quilómetros percorridos.
E uma quantidade absurda de coisas vistas num espaço de tempo bastante curto.
Quatro dias chegam para visitar Roma?
Para ver Roma toda?
Nem perto.
Para uma primeira viagem?
Sim.
Quatro dias permitiram-nos conhecer grande parte dos locais que queríamos visitar e ainda dedicar praticamente um dia inteiro ao Vaticano.
Mas também fizemos os dias a um ritmo bastante intenso.
Andámos imenso.
Voltávamos várias vezes a pé para o hotel.
E houve sítios onde fizemos escolhas para conseguir encaixar tudo.
O Coliseu é o exemplo mais óbvio.
Vimo-lo com bastante calma por fora, mas não entrámos.
Numa próxima viagem, provavelmente dedicaria mais tempo à Roma Antiga e visitaria o interior.
Por isso, para uma primeira visita, diria que quatro dias funcionam muito bem se estiveres disposto a andar bastante e tiveres o roteiro relativamente organizado.
Se preferires viajar mais devagar, parar mais vezes e visitar os monumentos com calma, acrescentaria pelo menos mais um ou dois dias.
Roma surpreendeu-nos — para o bem e para o mal
Roma é uma cidade muito bonita.
Isso não nos surpreendeu.
Aquilo que não esperávamos era encontrá-la tão suja em algumas zonas.
Esta foi, pelo menos, a nossa experiência em maio de 2022.
Havia poucos caixotes do lixo para a quantidade de pessoas e, em vários locais, os que existiam estavam completamente cheios, com lixo acumulado à volta.
Houve alturas em que andei quilómetros com lixo na mão simplesmente porque não encontrava onde o colocar.
E isso contrastava bastante com a dimensão e beleza dos monumentos à nossa volta.
As zonas mais turísticas e monumentais pareciam receber mais atenção, mas fora desses pontos a diferença era visível.
Não estragou a viagem.
Mas foi provavelmente o aspeto de Roma que mais nos surpreendeu pela negativa.
E depois havia o calor.
Fomos em maio.
Nem sequer estávamos no pico do verão.
E mesmo assim houve dias bastante difíceis.
Se voltássemos, provavelmente escolheríamos uma época um pouco mais fresca.
Sem chuva, se for possível fazer esse pedido.
Não custa tentar.
Quanto gastámos em quatro dias em Roma?
Esta viagem foi realizada em maio de 2022, por isso os valores seguintes representam aquilo que nós efetivamente pagámos naquela altura.
Não são preços atuais.
Nos voos Ryanair entre Porto e Roma Ciampino, ida e volta para duas pessoas, pagámos:
349,96 €
Os transfers entre o aeroporto e a estação de Termini ficaram em:
22 € para os dois, ida e volta
Pelas três noites no MF Hotel Roma, pagámos:
294 €
O seguro de viagem IATI Família, para os dois durante quatro dias, custou:
19,96 €
O passe de transportes públicos válido durante 48 horas custou:
12,50 € por pessoa
Ou:
25 € para os dois
Os bilhetes dos Museus e Jardins do Vaticano ficaram em:
34 € para os dois
Em refeições, conseguimos recuperar alguns valores com precisão.
No Burger King pagámos:
25,10 €
No jantar indiano:
12 €
No restaurante junto ao Vaticano:
22,80 €
E nas sandes da Piazza Navona:
8 €
Total destas refeições:
67,90 €
Houve ainda uma ou duas refeições rápidas durante a viagem, entre sandes e coisas do género, mas já não temos os valores exatos.
Por isso, preferimos deixá-las de fora em vez de inventar.
Os pequenos-almoços estavam incluídos no hotel.
Somando aquilo que conseguimos confirmar:
Aproximadamente 812,82 € para duas pessoas
Ou cerca de:
406 € por pessoa
Sem contar com essas uma ou duas refeições rápidas que já não conseguimos contabilizar.
O nosso roteiro de Roma resumido
Se quiseres usar a nossa viagem como ponto de partida para organizar quatro dias em Roma, ficou assim:
Dia 1: chegada a Ciampino, Termini, Salario, Piazza del Popolo, Santa Maria del Popolo, Piazza di Spagna, Trinità dei Monti e Fontana di Trevi.
Dia 2: Fontana di Trevi, Piazza Venezia, Piazza di San Marco, Monti, Fórum Romano, Coliseu, Circus Maximus, Scala Sancta e Via del Corso.
Dia 3: Vaticano, Basílica de São Pedro, Praça de São Pedro, Museus do Vaticano, Borgo, Castel Sant'Angelo, rio Tibre, Piazza Navona, Panteão e Fontana di Trevi à noite.
Dia 4: pequeno-almoço, caminhada até Termini, transfer para Ciampino e regresso ao Porto.
Eu não copiaria obrigatoriamente tudo exatamente pela mesma ordem.
Mas há uma coisa que manteria:
agrupar os sítios por zonas e fazer o máximo possível a pé.
Roma é daquelas cidades onde o percurso entre dois monumentos muitas vezes acaba por fazer parte da própria visita.
Viras uma esquina e aparece uma igreja.
Continuas por outra rua e encontras uma praça.
Mais uns metros e estás diante de uma ruína com dois mil anos.
E, no nosso caso, houve ainda um domingo em que levantámos os olhos para uma janela no Vaticano e estava lá o Papa.
Há coisas que simplesmente não conseguimos colocar num roteiro.
Viagem realizada em maio de 2022. Os preços, horários, condições de acesso e funcionamento dos locais mencionados podem ter mudado desde a nossa visita.
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