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Rota em Branco
Veneza

Veneza em 3 dias: o nosso roteiro real e quanto gastámos

A nossa primeira viagem a dois, em plena pandemia, entre um piloto italiano que quase nosmandou para a Polónia, uma gôndola que dispensámos e um Magnum que deveria ser de ouro.

8 min de leitura
Veneza

Em novembro de 2021, viajar ainda exigia mais do que simplesmente fazer as malas.

Antes de sequer pensarmos em Veneza, havia certificados de vacinação, formulários de localização e toda aquela burocracia que só a pandemia sabia inventar.

E havia outro pequeno detalhe: era a primeira viagem de avião da Cátia.

Se isto fosse um filme, já saberíamos que alguma coisa ia correr mal antes de aterrarmos.

E correu.

Só que, no nosso caso, acabou por correr bem.

Bolonha ou Polónia? O desvio de voo que deu o tom à viagem

Descolámos do Porto a caminho do aeroporto de Treviso, o nosso ponto de chegada previsto para Veneza.

A meio do voo veio o anúncio: havia nevoeiro intenso sobre Treviso e não era possível aterrar.

As alternativas eram o Aeroporto Marco Polo ou o Aeroporto de Bolonha.

O piloto, italiano, disse:

“Bolonha.”

Eu ouvi:

“Polónia.”

Durante uns bons segundos fiquei genuinamente convencido de que a nossa primeira viagem a dois ia acabar num país que não aparecia em lado nenhum do itinerário.

Sotaques fazem-nos ouvir coisas estranhas — mas raramente nos mandam para outro país inteiro sem aviso.

Acabámos por aterrar no Aeroporto Marco Polo e aquilo que inicialmente parecia um problema acabou por facilitar bastante a nossa chegada a Veneza.

Do aeroporto de Treviso até à entrada da cidade, o nosso transfer demoraria cerca de 40 minutos. A partir de Marco Polo, ficámos lá em aproximadamente 15.

A Ryanair enviou-nos um pedido de desculpas por email e disponibilizou transfers alternativos para Veneza, sem qualquer custo adicional para nós.

Chegámos tarde, mas ainda tivemos tempo para deixar as coisas no hotel e sair para conhecer um pouco das redondezas.

Mesmo àquela hora havia movimento nas ruas e rapidamente tivemos aquela primeira sensação:

estávamos finalmente em Veneza.

A primeira noite e um hotel muito bem localizado

Ficámos no Hotel Agli Artisti, na Calle Priuli Cavalletti.

Do local onde o transfer nos deixou até ao hotel foram cerca de oito ou nove minutos a pé.

Tínhamos reservado um quarto duplo, com pequeno-almoço incluído, durante três noites — de sábado a terça-feira.

Pagámos tudo antecipadamente através de PayPal e não tivemos qualquer surpresa na fatura. Apenas aquilo que quiséssemos consumir extra ficaria para pagar diretamente no hotel.

As três noites, para os dois, ficaram por 101,14 €.

Pouco mais de 33 € por noite, pequeno-almoço incluído.

Olhando para estes valores agora, custa um bocadinho acreditar.

A viagem atravessou quatro datas de calendário, mas chegámos já ao final de sábado e terça-feira foi essencialmente o dia do regresso.

Na prática, tivemos cerca de três dias para conhecer Veneza.

Dia 1: Cannaregio, Rialto, San Marco — e a gôndola que ficou por fazer

No nosso primeiro dia completo começámos por explorar a zona norte e central de Veneza.

Passámos pelo Ghetto Ebraico, percorremos Cannaregio, atravessámos a Ponte di Rialto e chegámos inevitavelmente à Piazza San Marco e ao Palazzo Ducale.

E, pelo meio, fizemos provavelmente uma das coisas de que mais gostei em Veneza:

andar sem destino.

Há ruas que acabam numa ponte.

Outras que acabam num canal.

E outras que nos fazem ter a certeza absoluta de que estamos a ir na direção certa até percebermos, cinco minutos depois, que estamos praticamente no mesmo sítio.

Veneza parecia-nos menos uma cidade organizada por quarteirões e mais um enorme labirinto de água, ruelas e pontes que se repete sem nunca parecer exatamente igual.

Também tínhamos pensado andar de gôndola.

Na altura, o passeio custava 80 € por cerca de 30 minutos.

Entre o preço, que nos pareceu demasiado elevado para meia hora, e a Cátia não estar propriamente convencida com a ideia de andar no meio dos canais, decidimos passar à frente.

Não me arrependo dos 80 € que poupámos.

Arrependo-me só um bocadinho de nunca ter visto Veneza daquela perspetiva.

Fica para a próxima.

Nota: os 80 € eram o preço que encontrámos durante a nossa viagem, em novembro de 2021. Os preços podem ter mudado entretanto, por isso vale sempre a pena confirmar antes de viajar.

Dia 2: Da Vinci, Santa Maria della Salute e uma das nossas pontes favoritas

No segundo dia fomos explorar sobretudo as zonas de Veneza onde ainda não tínhamos estado.

Visitámos o Da Vinci Interactive Museum, onde pagámos na altura 12 € por pessoa.

Depois seguimos até à Basílica de Santa Maria della Salute e atravessámos aquela que acabou por ser uma das nossas pontes preferidas de toda a viagem:

a Ponte dell'Accademia.

É um daqueles sítios onde vale a pena parar.

Não porque haja necessariamente alguma coisa específica para “fazer”, mas porque a vista sobre Veneza é precisamente aquela imagem que temos na cabeça antes de lá chegar.

Água, barcos, edifícios antigos dos dois lados e aquela sensação de estarmos num lugar completamente diferente de qualquer outra cidade.

Terminámos o dia da mesma forma que acabámos muitos dos nossos melhores dias de viagem:

a regressar a sítios de que já tínhamos gostado e a entrar por ruas onde ainda não tínhamos estado.

Sem grande plano.

Em Veneza, isso também faz parte do roteiro.

O que comemos — e o que nos custou mais do que devia

Em termos de comida, os preços que encontrámos em Veneza naquela altura não eram assim tão diferentes daqueles a que estávamos habituados em restaurantes e tascos portugueses.

Dependendo do sítio, gastávamos normalmente entre 10 € e 20 € por pessoa, alternando entre restaurantes onde nos sentávamos para comer com calma e opções mais rápidas.

O problema eram algumas sobremesas.

Numa pizzaria perto da Piazza San Marco, cujo nome já não conseguimos recordar, pagámos quase 10 € por uma mousse.

Uma mousse.

Só uma.

Nessa mesma noite decidimos experimentar a gelataria oficial da Magnum que existia naquela altura a poucos minutos a pé do nosso hotel.

Bastava atravessar a Ponte degli Scalzi.

Pagámos cerca de 10 € por pessoa por um Magnum personalizado, preparado na hora.

E aqui não há grande história de amor para contar.

Era um Magnum.

Normal.

Podíamos escolher alguns ingredientes e vê-lo ser preparado na hora, o que tinha a sua graça, mas no final continuava a ser um gelado perfeitamente normal que nos custou cerca de 10 € cada.

Valeu pela experiência? Talvez. Valeu os 10 €? Para nós, não.

É daquelas coisas que experimentámos uma vez e que provavelmente não voltaríamos a pagar.

O último dia e uma despedida pouco glamorosa em Treviso

Terça-feira era dia de voltar.

Aproveitámos para fazer as últimas compras, dar os últimos passeios e depois apanhámos o transfer em direção ao Aeroporto de Treviso.

Desta vez, sem qualquer desvio inesperado.

Quando lá chegámos, a experiência foi bastante diferente da chegada a Veneza.

Na nossa viagem, em 2021, o aeroporto pareceu-nos ter muito pouca oferta, ao ponto de termos de sair novamente para conseguir almoçar.

Aproveitámos também para comprar alguns snacks para o caminho.

Depois disso foi simplesmente esperar pela hora do voo.

Não foi propriamente o final mais cinematográfico para a viagem.

Mas, depois de termos começado com Bolonha, Polónia e um aeroporto completamente diferente daquele onde devíamos ter aterrado, talvez fosse pedir demasiado.

Quanto custou a nossa viagem a Veneza, a dois

Todos os valores abaixo são de novembro de 2021.

Não devem ser vistos como preços atuais de uma viagem a Veneza. Servem simplesmente para mostrar aquilo que gastámos na nossa viagem.

Onde já não temos o valor exato, preferimos indicar claramente que é uma aproximação em vez de inventar um número.

Voos — 94,00 €

Voos Ryanair Porto ⇄ Veneza-Treviso, ida e volta, para duas pessoas. O valor foi composto por 78 € de tarifa base mais 16 € pelos lugares selecionados.

Transfers — 48,00 €

Transfers entre o aeroporto e Veneza, ida e volta, para duas pessoas.

Seguro de viagem — 16,66 €

Seguro IATI Basic para quatro dias, cobrindo os dois viajantes.

Alojamento — 101,14 €

Três noites no Hotel Agli Artisti, num quarto duplo com pequeno-almoço incluído.

Da Vinci Interactive Museum — 24,00 €

12 € por pessoa.

Mousse — aproximadamente 10,00 €

Uma sobremesa numa pizzaria perto da Piazza San Marco.

Sim, continuamos a achar demasiado.

Gelados Magnum — aproximadamente 20,00 €

Dois Magnum personalizados, cerca de 10 € cada.

Foi uma experiência diferente, mas não achámos que justificasse o preço.

Gôndola — 0,00 €

Decidimos não fazer o passeio. Na altura, teria custado 80 € por cerca de 30 minutos.

Total contabilizado: aproximadamente 313,80 €

Isto dá cerca de:

156,90 € por pessoa

Sem contar com a maioria das refeições.

Não temos todos os recibos guardados, por isso não faria sentido fingir que sabemos exatamente quanto gastámos em comida.

Pelos valores de que nos lembramos, as restantes refeições ficavam normalmente entre 10 € e 20 € por pessoa.

Fazendo apenas uma estimativa, podemos ter gasto algures entre 120 € e 260 € para os dois em refeições ao longo da viagem.

É uma margem bastante grande — e precisamente por isso não incluímos esse valor no total contabilizado.

Não é um relatório de contabilidade perfeito.

É aquilo que conseguimos reconstruir através dos recibos que ainda temos, dos pagamentos e das memórias que ficaram da viagem.

Mas dá uma ideia bastante honesta de uma coisa:

Veneza tem fama de ser cara, mas isso não significa que uma viagem de três dias tenha obrigatoriamente de custar uma fortuna.

No nosso caso, tivemos voos, três noites de hotel, transfers, seguro, uma atração paga e alguns excessos pelo caminho por pouco mais de 150 € por pessoa, antes da maioria das refeições.

E ainda tivemos direito a uma aterragem no aeroporto errado.

Nada mau para a nossa primeira viagem a dois.

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